sábado, 22 de setembro de 2018

Próxima parada: Olney

Primeiramente, quero me desculpar, estou alguns dias atrasada. Não pude escrever na quarta-feira porque estive ocupada esses dias, mas aqui estou finalmente. Então vamos lá!

Neste artigo falarei sobre Olney. É uma pequena cidade do interior, lar do prestigiado hino cristão Amazing Grace, composta pelo pastor John Newton (1725-1807), que esteve à frente da Igreja Anglicana local desde sua ordenação em 1764 até 1779, quando foi presidir uma igreja em Londres. Newton, em seus anos na capital, esteve envolvido na luta em busca da abolição da escravatura na Inglaterra, que aconteceu em 1807, pouco antes de sua morte. Há um filme que conta a história da abolição e de William Wilberforce, abolicionista e pupilo do clérigo. Fiz uma resenha sobre ele em meu outro blog, Amazing Grace –Jornada Pela Liberdade. Para saber mais sobre o compositor da famosa canção, acesse Salvo Pela Incrível Graça.

Para mim, foi uma grata surpresa ir para lá em minha primeira semana no Reino Unido e realmente fiquei feliz por ter tido essa oportunidade. Fui convidada por duas voluntárias que iam com a Cynthia, uma amiga do Frontier Centre. Uma senhora adorável, diga-se de passagem.
Da esquerda para a direita: eu, Cynthia, Ohanna e Yana
O primeiro lugar que visitamos na cidade foi a igreja que Newton pastoreou, a Paróquia de São Pedro e São Paulo (Parish Church of St Peter St Paul). Tirei poucas fotos da igreja, mas aqui estão elas:







E este é o túmulo do pastor, que fica no pátio da igreja, que também é um cemitério:
Andamos pela cidade no restante do dia, que não é grande, então não foi uma caminhada cansativa. Visitamos diversas lojas, o mercado de rua, almoçamos no Costa, uma rede de cafés bem comum por aqui, sentamos na praça para descansar um pouco, fomos ao museu (que fecha às 16h e chegamos minutos depois de fechar, então demos uma olhadela na loja do museu). E então viemos embora.




























Não foi um super passeio turístico como normalmente as pessoas fazem, para explorar totalmente o local, não aproveitar verdadeiramente o momento e tirar mil fotos sem guardar na memória as pequenas coisas. Mas é como eu disse na primeira postagem desse blog, eu não sei ser turista como manda o figurino, sei somente ser eu mesma. Curti cada momento do dia e na volta passamos em um hiper-mercado, ainda fiz minha primeira compra inglesa:
É isso. O artigo de hoje foi menor, mas não menos importante. Graças ao bom Deus estou aqui, pude conhecer o lar de Amazing Grace, que amo, e aproveitar cada segundo.

Até a próxima semana!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Primeira parada: Londres


Cheguei em Heathrow às 14h10 de 19 de agosto de 2018 e já narrei minhas peripécias no aeroporto. Agora contarei o que aconteceu depois que encontrei meu amigo João Guilherme, seus pais e seu amigo José.

O que fizemos primeiro foi localizar o metrô, aqui chamado de underground, e eu comprei um cartão semelhante ao que no Brasil conhecemos por Bilhete Único, que oferece desconto andando no trem subterrâneo. Então esperamos brevemente na estação até chegar o transporte.

E então tive uma grata surpresa: os assentos se assemelham a assentos de ônibus. Vi algo parecido somente na Linha Amarela do metrô de São Paulo.
Foi um passeio por estações, escadas e corredores infinitos por uma hora. Em uma estação, precisei tirar uma foto, pois para mim parecia uma pintura em um quadro e a imagem merecia ser registrada. Estava tão encantada! Afinal, é apenas uma estação e, para londrinos, algo normal, mas para mim era extraordinário, até canteiros de flores havia para embelezar o ambiente.
Finalmente chegamos em St Pancras International, uma estação gigante, que além do metrô, tem trens que chegam e partem com destino a diversas localidades, dentro e fora do Reino Unido.

É nela também que está a Plataforma 9 ¾, com a famosa loja de Harry Potter, o menino-bruxo. Eu não gosto tanto assim de HP, mas minha irmã adora. Tirei algumas fotos para ela, mas para entrar na loja ou tirar a foto oficial, é necessário enfrentar uma fila imensa e não tinha tempo para isso naquele dia. Mas voltarei lá em um dia mais normal, sem tanto movimento, que não seja domingo.



Em St Pancras fiz minha primeira refeição em solo britânico. Na verdade, foi um lanche às 18h. O João Guilherme foi ao mercado com o pai, enquanto eu, a mãe dele e o José esperamos na estação, tirando algumas fotos. Para mim, ele comprou um folhado de carne e um suco de maçã e nem registrei o momento, a fome era tanta que apenas comi sem pensar muito. O folhado tinha o gosto da adolescência: parecia aquele que eu comia na escola quando estava no ensino médio. O suco era gostoso, mas dava pra sentir o gosto de produto industrializado.














Fui ao banheiro depois de comer e descobri que não há lixeira, o papel vai na privada e damos desgarga. Achei um costume bem interessante e higiênico.

Nosso trem para Wellingborough (a cidade – town – a qual Irtlingborough – village – pertence, mais ou menos isso) sairia às 20:40 e o jeito era esperar a hora passar. O José pegaria um trem um pouco mais cedo, então ele e o João foram verificar se estava tudo certo com as passagens. Então descobriram que nosso trem fora cancelado e deveríamos pegar um mais cedo ou um mais tarde. Decidimos ir no mesmo que o José.

Depois de duas horas, chegamos em Wellingborough, onde alguém do Frontier estaria nos esperando. Contudo, não conseguimos descer na estação e fomos parar na seguinte, Kettering. O José então avisou o homem do Frontier, chamado de Robbie, ele nos buscou lá e chegamos ao Centro quase às 22:30.

Era aniversário de alguém, então estavam todos reunidos na casa onde moram as meninas. Conheci voluntários e instrutores de uma só vez, mas tenho problemas em guardar nomes e associá-los aos rostos, embora seja boa fisionomista.

Jantei com o João, seus pais e o José, tomei banho e quando me deitei par dormir, já passado da 1h, mal encostei a cabeça no travesseiro e caí em sono profundo. O dia fora exaustivo ao extremo e eu estava muito cansada.

E muito feliz. Finalmente estou no país onde sempre quis estar.

Até a próxima. Beijos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Frontier Centre em Irthlingborough, Wellingborough, Reino Unido


Esse é o lugar onde estou, às margens do Rio Nene, mas como vim parar aqui? É uma longa – mas não tão longa – história.

Tudo começou quando, em 25 de janeiro, cinco amigos do Ensino Médio se reencontraram para uma pequena confraternização após quase uma década. É claro que eu era uma dentre os cinco, o João Guilherme (o mesmo amigo que me encontrou em Heathrow) era outro. Durante nossa conversa de amigos próximos que não se viam há muito tempo, surgiu o assunto da Inglaterra.

Contei que tentara um intercâmbio em dezembro de 2017 para ficar na região de Carlisle por onze meses, mas não passara no processo de seleção. Foi um pouco frustrante, já que eu sonhava em vir para cá há tantos anos, mas bola pra frente, estava de boa na lagoa. Quando Deus permitisse, nem que fosse aos 50, 60 ou 100 anos, eu viria. Nessa hora, o João contou que ele estava tentando vir como voluntário por nove meses, em abril, mas ainda não tinha o visto nem nada. Eu me interesse e ele me disse que falaria melhor depois, me passaria os contatos, etc.

Os assuntos à mesa variaram enquanto jantávamos, tínhamos muito que contar um ao outro em tão pouco tempo, depois de tantos anos. Eram muitas novidades, muitas coisas tinham acontecido em nossa vida desde que saímos da escola. Mas a questão da Inglaterra ficou na minha cabeça durante todo o tempo. Ainda bem que, naquele dia, o João me daria uma carona até em casa, já que não era tão fora de seu caminho (embora onde eu moro seja meio fora do caminho de tudo e de todos).

No carro, o João me explicou tudo sobre o Frontier Centre, um acampamento (centro de aventura) da Rock UK, uma instituição cristã com acampamentos espalhados por todo o Reino Unido. Explicou-me como deveria entrar em contato com eles, me passou o e-mail e me disse com quem eu deveria falar.








O Centro é um lugar que recebe voluntários de diversos países anualmente, e as últimas vagas eram para abril, então provavelmente eu só conseguiria vir em abril de 2019, já que era fim de janeiro e as vagas para 2018 deviam estar esgotadas. Mesmo assim, por insistência de minha mãe mandei o e-mail para Corinne questionando sobre as vagas para o voluntariado. Porém, como eu suspeitava, as vagas tinham se esgotado e ela me pediu para mandar outro e-mail em meados de maio.

Maio chegou e dia 15 eu enviei outro e-mail e Corinne me mandou os formulários para me inscrever. Era, como o intercâmbio, um processo de seleção, mas em vez de acontecer no Brasil, acontecia na Inglaterra.

Não estava com tanta pressa, já que era só para abril de 2019, então respondi os formulários com calma e não os enviei, planejava fazer isso em alguns meses. Contudo, em 21 de junho chegou para mim um e-mail inesperado da Corinne falando sobre uma vaga extra que abriria em meados de agosto. Ela dizia que, se eu tivesse interesse, deveria enviar meus formulários preenchidos o mais depressa possível. Assim sendo, incentivada por minha mãe, enviei tudo em 25 de junho – confesso que se fosse só por mim não teria enviado.

Desde então, foi uma correria insana para eu poder viajar na primeira quinzena de agosto. Fui aceita como voluntária e meu contrato começava dia 13, mas só depois de conseguir o visto, comprar a passagem seria possível. E a resposta do visto (Tier 5 – visto para trabalhador temporário) só chegou em 05 de agosto.

Tive que adiar a viagem em uma semana, 18 de agosto. Parti em um voo da Latam saindo do Aeroporto de Guarulhos às 22h10 e chegando no dia seguinte às 14h10 (12 horas de viagem, contudo como o fuso horário é de três horas e o Reino Unido está em horário de verão, foi na verdade uma viagem de 16 horas). 

Vejam como são os planos de Deus~ em janeiro, eu tinha acabado de cancelar a possível realização de um sonho ao ser desclassificada em uma seleção para um intercâmbio. Nunca imaginaria que alguns meses depois estaria aqui com propósitos totalmente diferentes. Quando reencontrei um amigo que não via há anos, em questão de meses realizei o sonho de uma vida. Deus é mesmo maravilhoso! 


O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. - Provérbios 16.1

Depois dos pequenos percalços em Heathrow, descritos anteriormente, de algumas aventuras no metrô de Londres e alguma confusão na hora de pegar o trem para Wellingborough (assunto do próximo artigo), cheguei ao Frontier Centre às 22h daquele primeiro domingo em solo inglês.









No dia seguinte tive folga – day off – e saí com o João e seus pais, e o José, para conhecer um pouco a região. Mas isso é assunto para outro post. Semana que vem estou de volta!

Beijos. Emily.