terça-feira, 23 de outubro de 2018

Sendo Uma Voluntária na Inglaterra - parte 2


Antes de dar início ao artigo propriamente dito, quero dizer que decidi não me comprometer com o tempo e ter que fazer postagens regulares, semanais. Mesmo nas folgas da semana, às vezes simplesmente não consigo parar para escrever, nem sempre é possível dedicar-me ao blog e nem sempre essa é minha prioridade. Não que eu não goste ou não que não queira manter um registro de minhas peripécias na Terra da Rainha, pelo contrário, ter esse espaço é muito importante para mim. Só que aqui, verdade seja dita, minha vida é totalmente diferente do que era no Brasil e, inclusive, a ordem das coisas muitas vezes se inverte.

Agora começando de verdade, uma postagem no facebook me chamou muito a atenção quando a vi. Uma imagem é dividida em duas partes. De um lado, está o que as pessoas vêem quando você se dispõe ao trabalho voluntário, tais como o trabalho em equipe, a diversão, a vida em comunidade. O outro lado mostra o que as pessoas não vêem, os conflitos emocionais, a dedicação extrema, as dificuldade de se relacionar com pessoas novas, as amizades etc. 
Fonte: The Fundrainsing Whisperer
Para mim, ser voluntária tem sido uma experiência incrível e desafiadora. Estou amando muito, mas também há aqueles momentos que me sinto um peixe fora d’água. Fui inserida em um trabalho já em andamento e essa experiência é desgastante. Como em um emprego normal, você precisa aprender o trabalho e dedicar-se a ele, dando seu melhor a cada momento.

O problema começa quando você percebe que seu melhor não é, muitas vezes, o melhor para todos na nova comunidade na qual está inserida. Mas mesmo assim, esse é seu melhor. Será?

Eu sou uma pessoa muito perfeccionista, quero fazer tudo da melhor forma possível, mesmo que isso leve horas para ser feito. Contudo, não é assim que as coisas são. Nem sempre tenho horas para fazer um serviço, mas ele precisa ser feito, e precisa ser feito já.

Preciso acompanhar o ritmo dos outros, sem atrapalhar, mas ajudar. Ser rápida, porém com eficiência, sem tempo para ser “lentamente perfeita”. Sei que a pressa é inimiga da perfeição, mas estou em um processo de aprendizagem. Devo buscar a excelência no serviço às outras pessoas, pois é um serviço ao próprio Deus. Por outro lado, não posso ser a pedra no caminho de ninguém.

Deus aceita meu melhor e sabe que estou tentando ao máximo para que as pessoas possam ser bem servidas e notar que dou o melhor para Deus, por Deus e por elas, para servir. Um famoso slogan diz “servir bem, para servir sempre” e é o que almejo, mesmo com dificuldade, quero servir bem. E sim, esse é meu melhor, mas sei que posso melhorar sempre, pois Deus me capacita.

Como disse no início, ao falar sobre a periodicidade das postagens, as prioridades mudaram aqui. Antes eu trabalhava sozinha, sempre trabalhei sozinha, mesmo em um escritório com mais pessoas. Fazia meu tempo, administrava sozinha tudo o que tinha que fazer em um tempo determinado e sabia como dividir as tarefas para que tudo fosse feito no prazo, da forma mais conveniente.

Aqui faço parte de um time. Moro com pessoas que não conhecia antes de vir para cá, tenho desenvolvido amizades, buscado fazer parte da comunidade de fato, não apenas conceitualmente. Já não quero estar sozinha e o desacostumar-me com o hábito de me isolar é difícil, mas tenho tentado diariamente. Vejo filmes com o pessoal, mesmo que não seja meu tipo de filme favorito. Tento jogar jogos de cartas ou tabuleiro, mesmo que eu não seja tão boa nisso. Às vezes somente fico na sala sentada no sofá ouvindo os que os outros têm a dizer (quase nunca digo algo, ainda não consegui vencer essa barreira imposta pela timidez). Saio com os voluntários, às vezes só por sair e não ficar sozinha, mesmo que minha natureza diga para eu ficar no meu quarto, deitada na cama.

Procuro curtir da melhor forma, afinal é o país com o qual sempre sonhei.

Sei que o Pai está comigo e Ele me trouxe aqui. Às vezes é tudo tão difícil que bate um desespero, mas Ele conhece os desejos do meu coração. Eu choro porque é difícil e doloroso, mas também sorrio, e sorrio mais do que choro, porque é prazeroso, novo e empolgante. 

Ele me colocou aqui porque sabe, muito mais do que eu, o que posso fazer nesse lugar. Ele sabe, muito mais do que eu, o que preciso, e conhece o mais profundo de meu ser. Sou o que, e quem, Ele diz que eu sou: sua filha. 

Aliás, ontem ouvi uma música que diz isso. "Sou quem dizes que sou". A música é em inglês, mas há uma versão em português. Deixarei vídeos com as duas versões aqui, vale a pena conferir, é um belíssimo louvor da Hillsong.


Ser uma voluntária em um país tão distante está sendo uma experiência incrível e não me arrependo nem por meio segundo de ter decidido vir para cá!

4 comentários:

  1. Oi Mi tudo bem meu amor Mi muito lindo oque voçe escreveu me emocionei muito me Deu uma saudades muito grande de voçe Mi voçe quando voltar pode escrever um livro te amo muito Que Deus te abençoe e cuide de voçe ai beijos minha linda tchau

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  2. O Senhor nosso Deus te acompanha e te guarda, e onde pisares Ele o confirmará ❣️❣️❣️������

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  3. Amada, a cada instante sinto a confirmação da obra que o Senhor tem em tua vida neste lugar. Sim, tu és filha do Rei, e é Ele que completa a boa obra que começou. Assim como tu escreveste, Ele te capacita! E Ele te lapida!

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  4. Amém My!!! Glórias a Deus lor cada manhã que se levanta, pois a cada manhã o Senhor Jesus renova tuas forças, Ele te capacita!!!
    Descansa, o dia de amanhã pertence a Ele! Bjao!!!

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